terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Flores no asfalto

Tens a força das flores e folhas
Que nascem serenas, caladas,
No asfalto desta capital fria.

Entre os carros que passam
E as gentes que correm perdidas,
O teu sorriso brilha sozinho.

E as tuas pétalas macias
Que caem nos passeios
Perfumam toda a vida.

E os teus lábios abertos
Formando o mais belo sorrir
Colorem todos os meus dias.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Brotos de Primavera

Quisera eu me perder por inteiro
Para me deixar encontrar tranquila
Pelo fogo aceso dos teus beijos
Que me trazem de volta à vida.

Pudera eu fechar meus olhos secos
Esgotado das lágrimas a chorar
Para encontrar os teus, tão negros,
Mas prontos pra me abraçar.

Quem me dera deixar levar
Serena como brisa de verão
Pelos caminhos escuros
Do teu frio coração!

Quem me dera, meu deus,
Abrir como a primavera
Meus brotos, tão teus,
Que o tempo não espera!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Nua de Amor


A tua ausência enche meu quarto
Como fumaça quente no verão.
O silêncio sem tua voz gritante
Torna surdo o meu coração.

Os teus beijos sem gosto,
Sem cores que eu possa enxergar
Ocupam minha boca, ora vazia,
E cala os gritos da minh’alma fria.

Tens os passos mais distantes,
Tão longes que este não pisar
Suja meu peito de lágrimas
Confundindo todo o meu caminhar.

Estou nua da tua voz,
Dos teus beijos sem paladar,
Dos teus passos tão longínquos,
Da tua fumaça a me apagar.

Mas vivo vestida do teu não me amar.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Cavaleiro de espada

Vens cavalgando pelos caminhos
do meu coração traiçoeiro,
tão pleno de amores perdidos
regado de amores verdadeiros.

Tens nas mãos longa espada
com poderes de gelo e de fogo,
transformas com arma dourada
meus fantasmas vivos
                         em espíritos mortos.]

És meu cavaleiro de espada
e também meu amante e amor.
Levas contigo coragem cravada
e arrancas do meu peito toda dor.

És meu príncipe protetor
e minha dádiva mais encantada.
Tens nos braços meu ardor
e no coração de cavaleiro,
                                princesa amada.]

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Descobridor de continentes

Os teus olhos dizem de sonhos
que eu sempre sonhei encontrar.
Da tua boca exalam canções,
as mais belas dos continentes.
                                    
                                      O teu coração explode um corpo
                                      que carregas apenas por carregar.
                                      Já a tua alma leva cores vibrantes
                                      que colorem todas as gentes
                                      e fazem todo o mundo
                                      girar.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Invisível aos olhos

O teu amor é como uma nuvem
branca a rondar meus passos,
guiando os caminhos estranhos
onde meus pés se põem a andar.

Este amor, que poucos enxergam,
assume formas várias, passageiras.
Como uma chuva de verão,
chega calada e logo se vai.

O teu amor é invisível aos olhos
que não conseguem ver o essencial.
Deste amor não posso ver,
nem ouvir,
mas posso claramente sentir.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Amarras do passado

Nunca soube o momento certo
de me despedir do passado.
Presa às amarras do que se foi
piso o presente com passos de ontem.

Navego rios de dias atrás
mergulho nos mares invisíveis
das cenas que meu mundo
não é mais capaz de abarcar.

Eu bato na porta do ontem
mas não sou convidada a entrar.
Pelas janelas e muros não passo,
está trancado o que não voltará.

sábado, 19 de junho de 2010

Versos Nus

Eu sou uma sombra escura
que se esconde por entre árvores.
Nada movo, ninguém me percebe.

Eu faço versos soltos, tão fracos
que se esvaem rápido com o vento.
Não há voz que leia o que escrevo.

Eu tenho sonhos mágicos num instante
e os perco noutro, sem nunca mais os ver.
Eu sou poeira que esconde de medo,
                                               medo de viver.]

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Incondicional

Que se chamasse João,
Pedro, Felipe, Mateus.
Que se dissesse pobreza
Ou dono do mundo inteiro.

Que se fizesse escravo
Ou o maior dos soldados.
Que se deitasse na Terra
Ou tivesse alguém ao seu lado.

Que me entregasse a vida
Ou trouxesse o canto da morte.
Que viajasse anos-luz
Ou me levasse com ele.

Que maravilhoso ainda seria
O amor daquele que amo.
Que especial ainda seria
Se o encontrasse só por engano.

sábado, 28 de novembro de 2009

Gostar

Eu gosto do teu olhar
Simples, sincero, mudo
Dizendo de tudo
Rindo do mundo.

Eu gosto da tua fala
Macia e sem compromisso
A negar quando insisto
A dançar comigo.

Eu gosto do teu cheiro
Caminhando no meu corpo,
Embebedando-me um pouco
E me trazendo sonhos tortos.

Eu quero o teu corpo
Envolvendo o meu em abraço,
Os teus braços como um laço
Contornando tudo o que faço.

Eu quero o teu coração
Escondendo um branco amor,
De fruta fresca tem o sabor
De quem me segue pra onde eu for.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Paixão e compaixão

Não sei se quero o mágico
Ou se socorro o enfermo,
Se me deixo levar pelo sonho
Ou se continuo com o mesmo.

Não sei se troco o certo,
Mas vazio de emoção,
Pelo incerto e duvidoso,
Que ganhou meu coração.

Coração que se dividiu
Entre amor e compaixão.
Apaixonei-me pelas surpresas,
Compadeci-me do não são.

sábado, 19 de setembro de 2009

Perene

Estamos todos sozinhos
E é proibido sentir solidão.
Em meio a tantos rostos frios
Cercados estamos de nãos.

No fim não restarão flores
Nem amores para histórias contar.
No final, meu caro amigo,
Este teu sorriso não vai sobrar.

O que fica, o que resta,
O que sabe perecer no tempo
É a poesia, que sem secar
Sabe se espalhar no vento.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

De sobra

Não me amas, eu sei.
Não pensas em mim
De olhos vidrados
E coração pulsando,
Eu também sei.

Mas há espaço de sobra
No meu coração
Para a tua falta de amor.

Mas há imaginação de sobra
Na minha mente
Para que eu sonhe para nós dois.

Mas há tantos olhos
Que vivem vidrados
E perdem os sopros da vida.

E há um coração aqui
Que pulsa, mesmo vazio,
Esperando o teu,
Mesmo que ele nunca venha.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Tormento

Há sempre uma sombra negra
A atormentar meu espírito,
Escurecendo os dias mais claros
Banhando em lágrimas os sorrisos.

A sofrer fui destinada desde
O início de minha curta vida.
Quando ainda nem o corpo havia
Minh’alma solitária já sofria.

E crescendo sob o estigma
De sempre viver em agonia
Vou buscando o inexistente
E perdendo traços de alegria.

terça-feira, 31 de março de 2009

Epitáfio

Aqui jaz um grande,
Mas enfermo e cansado,
Amor.

Não deixeis flores,
Cravos, begônias, enfim,
Deixai a tua memória,
Teus versos e cantos afins.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Durante um tempo

Durante um tempo - quase um ano, eu pensei que conseguiria sobreviver sem colocar no papel (ou no computador) as minhas emoções. Foi um momento em que a poesia começou a modificar aquilo que eu sentia pelas pessoas e, ao invés de ser uma válvula de escape, transformou-se em minha perdição.
Eu estava errada, completamente errada, quando imaginei que seria "produtivo" parar de escrever e tentar ser menos sensível ao mundo e às pessoas. Eu sou viciada nisto, não consigo viver sem registrar o que sinto em forma de versos e, mesmo que isto modifique meus sentimentos e a minha razão, eu não consigo me desvencilhar da única droga em que eu sou viciada: a poesia.

Falso ser

"Eu sou aquilo que falhei ser."
(Bandeira)

Eu quase não existo
Quando finjo, ao mundo,
Prudentemente existir
E não me sentir em tudo.

Eu sou o retrato da alma
Fracassada, derrotada,
Lentamente estagnada:
Eu não me enxergo em nada.

Como borboleta sem rumo,
Vivendo presa em casulo
Vou seguindo um caminho
Que do futuro leio tudo.

Eu quase não sou
Quando tento, inútil ser
O destino que me impôs
O amanhã que não sei viver.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Como?

Como apagar em mim
Teus beijos embebidos de amor
Se me acompanham o gosto da boca
Por todos os caminhos que vou?

Como nunca mais pensar
Nos teus olhos pequenos e negros
Se seguem os rumos dos meus
E falam de universos perfeitos?

Como desmanchar meus desejos
De contigo eternamente estar
Se teus anseios ocuparam meus sonhos
E sem ti desaprendi a sonhar?

segunda-feira, 10 de março de 2008

Meu Bem

Eu sei, meu bem,
Não foi em vão
O sentir que ainda
É vivo no coração.

Se me prende
A alma a chorar,
Se me acelera
O espírito a lembrar,
Se me desperta
A mente no olhar,
Se me abandona
O destino a respirar,
Se me finaliza
A vida te deixar.

Eu sei, é o amor
Que nunca é vão.
É eterno, é forte,
Invade o coração.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Andanças

Escrevi teu nome nas estrelas
Da noite da capital argentina.
Buenos Aires tua voz en-canta,
Entoando tuas cantigas antigas.

Desenhei teu rosto na areia
Das praias azuis do Oceano.
No Pacífico a imagem dança,
Tal qual baila bailarino cigano.

Cravei teus passos nas calçadas
Das ruas da capital chilena.
Santiago segue este caminhar,
Apaga do coração meu sonhar.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Entre todos

Entre as pernas que passam
Sinto teus passos disparados,
Espero-te aqui, ao meu lado
De olhos tristes e fechados.

Entre os lábios que se abrem
Sinto tua boca me chamando,
Acompanho tua voz calada,
Sonho teus beijos me guiando.

Entre olhos que me olham
Sinto os teus, me fitando,
Desvio meu rosto gelado,
Quero teu olhar me roubando.

Entre corações que sofrem
Sinto o meu, te amando,
Busco teu amor impossível,
Sou amante de dor gritando.