sábado, 19 de junho de 2010

Versos Nus

Eu sou uma sombra escura
que se esconde por entre árvores.
Nada movo, ninguém me percebe.

Eu faço versos soltos, tão fracos
que se esvaem rápido com o vento.
Não há voz que leia o que escrevo.

Eu tenho sonhos mágicos num instante
e os perco noutro, sem nunca mais os ver.
Eu sou poeira que esconde de medo,
                                               medo de viver.]

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Incondicional

Que se chamasse João,
Pedro, Felipe, Mateus.
Que se dissesse pobreza
Ou dono do mundo inteiro.

Que se fizesse escravo
Ou o maior dos soldados.
Que se deitasse na Terra
Ou tivesse alguém ao seu lado.

Que me entregasse a vida
Ou trouxesse o canto da morte.
Que viajasse anos-luz
Ou me levasse com ele.

Que maravilhoso ainda seria
O amor daquele que amo.
Que especial ainda seria
Se o encontrasse só por engano.

sábado, 28 de novembro de 2009

Gostar

Eu gosto do teu olhar
Simples, sincero, mudo
Dizendo de tudo
Rindo do mundo.

Eu gosto da tua fala
Macia e sem compromisso
A negar quando insisto
A dançar comigo.

Eu gosto do teu cheiro
Caminhando no meu corpo,
Embebedando-me um pouco
E me trazendo sonhos tortos.

Eu quero o teu corpo
Envolvendo o meu em abraço,
Os teus braços como um laço
Contornando tudo o que faço.

Eu quero o teu coração
Escondendo um branco amor,
De fruta fresca tem o sabor
De quem me segue pra onde eu for.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Paixão e compaixão

Não sei se quero o mágico
Ou se socorro o enfermo,
Se me deixo levar pelo sonho
Ou se continuo com o mesmo.

Não sei se troco o certo,
Mas vazio de emoção,
Pelo incerto e duvidoso,
Que ganhou meu coração.

Coração que se dividiu
Entre amor e compaixão.
Apaixonei-me pelas surpresas,
Compadeci-me do não são.

sábado, 19 de setembro de 2009

Perene

Estamos todos sozinhos
E é proibido sentir solidão.
Em meio a tantos rostos frios
Cercados estamos de nãos.

No fim não restarão flores
Nem amores para histórias contar.
No final, meu caro amigo,
Este teu sorriso não vai sobrar.

O que fica, o que resta,
O que sabe perecer no tempo
É a poesia, que sem secar
Sabe se espalhar no vento.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

De sobra

Não me amas, eu sei.
Não pensas em mim
De olhos vidrados
E coração pulsando,
Eu também sei.

Mas há espaço de sobra
No meu coração
Para a tua falta de amor.

Mas há imaginação de sobra
Na minha mente
Para que eu sonhe para nós dois.

Mas há tantos olhos
Que vivem vidrados
E perdem os sopros da vida.

E há um coração aqui
Que pulsa, mesmo vazio,
Esperando o teu,
Mesmo que ele nunca venha.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Tormento

Há sempre uma sombra negra
A atormentar meu espírito,
Escurecendo os dias mais claros
Banhando em lágrimas os sorrisos.

A sofrer fui destinada desde
O início de minha curta vida.
Quando ainda nem o corpo havia
Minh’alma solitária já sofria.

E crescendo sob o estigma
De sempre viver em agonia
Vou buscando o inexistente
E perdendo traços de alegria.